Thursday, April 24, 2008


Chego a casa cansada de mais um dia que passou, atiro o casaco para o sófa, descalço-me e caminho sobre o chão frio da cozinha enquanto ataco o frigorifico.

Vou andado pela casa a pensar na quantidade de coisas que tenho que estudar e no pouco que tenho feito, mas em vez de me dirigir ao quarto e pôr o tempo a render vou directa a sala ver só cinco minutos das noticias que acabam por ser três quartos de hora de televisão, quando dou por mim estou meia a dormir no mesmo sitio do costume.

Furiosamente vou à casa de banho lavar a cara e digo para mim mesma que tenho mesmo que estudar, chegada ao quarto vejo a quantidade de agendas que já comprei para me organizar e que apenas serviram como pretexto e pouco para estudo.

Só me apetece chorar quando olho à minha volta e vejo folhas espalhadas livros meio abertos, a confusão de sempre e eu parada meia a dormir de cansaço e de desmotivação.

Paro por momentos, e rezo, relembro os frutos que o trabalho já me deu, e relembro o quanto já alcancei com a Sua ajuda, fico envergonhada do que tenho feito e peço Lhe perdão por não saber fazer desses frutos novas sementes para posteriores platanções, paro respiro fundo e relembro Cristo e o seu trabalho, relembro O na minha vida e sorrio. É tão bom senti-lo. Relembro as pessoas que gostavam de fazer render os seus talentos mas que não podem por impossibilidades físicas, rezo por elas e dedico lhes todos os minutos do meu trabalho. Relembro e principalmente agradeço o Dom que Ele me deu, e a oportunidade de estudar, de adquirir novos conhecimentos. Peço-Lhe que me dê força de vontade porque essa faz tanta diferença, move nos e faz nos caminhar na Sua direcção.

Não sei quanto tempo passou desde que parei aqueles momentos, quando dei por mim estava a estudar há algum tempo, e rezava sobre cada momento, lembrei me das palavras de S.Inácio de Loyola “ Estuda como se tudo dependesse apenas de Ti e reza como se Tudo dependesse apenas d´Ele “, e tudo fez tanto sentido, fazer de cada momento , um momento de oração, deixa Lo estar presente em todas as coisas como estudar.

Entrego Lhe toda a minha vida, tudo o que sou e o que tenho, todo o meu trabalho porque só com Ele tudo faz sentido, n´Ele, para Ele e com Ele.

Saturday, February 02, 2008


Foi num dia de imenso sol, e depois de muito trabalho, que comecei a namorar com a Helena.
Já saímos juntos algumas vezes, e estava tudo a correr tão bem, há momentos na vida em que não precisamos de mais confirmações para saber que estamos certos.
Só ainda não tínhamos assumido porque ela tinha medo, eu receava que ela fosse adiando a questão continuamente, até que um dia tive coragem e depois de rezar muito sobre o assunto, perguntei-lhe que se passava ao que ela me respondeu:
-É dificil darmo nos. É dificil abrirmo nos ao outro, ficarmos vulneráveis, mostrarmos tudo o que somos, e o que temos, o que é bom e o que não é tão bom. É difícil deixar o outro entrar. Custa-me abrir-me aos que me rodeiam, custa me deixa los entrar na minha casa, custa me que Ele veja os meus erros, e sinto tantas vezes que não mereço o seu Amor. Custa me admitir que sou pecadora que sou humana, que sou fraca, que sem Ele nada sou. Custa me, mas quando rezo, e O sinto tão presente, quando O deixo entrar, e não me fecho, quando até Lhe mostro o meu caixote do lixo, mesmo sabendo que Ele já sabia o que ia encontrar fica tudo tão diferente… uma paz apodera-se de mim, o seu Amor enche me por dentro, esvazio me de mim, e percebo o tão importante que sou para Ele apesar de ser como sou. Sei que estou na palma da sua mão, e isso é tão importante para mim.
Sabes Luís, a sociedade ainda torna mais difícil esta abertura ao outro, porque vivemos numa sociedade que nos incentiva a sermos egoístas, a sermos consumistas, a mensagem que nos rodeia, é o obtenha você mesmo, aqui e agora, já ninguém tem paciência para cativar, para ser paciente, para saber esperar, e as relações humanas necessitam de crescer, de serem construídas, de darem pequenos passos.
Claro que quero namorar contigo, mas eu quero uma relação a três e esta também precisa de crescer, precisa de O deixar estar presente, precisa de O ter como pilar, precisa de ser rezada, de ser construída. Preciso que compreendas o importante que Ele é para mim, para Nós. Por favor, reza por nós, para que sejamos capazes de O ter sempre presente, de crescermos juntos, na fé, de sermos amigos, sinceros, honestos, de sermos simplesmente nós próprios.

Olhou para mim, fez aquele sorriso que eu adoro e prosseguiu:

- 1+1=3, nós e Ele é tudo o que te peço, entreguemos Lhe o nosso amor, confiemos n´Ele e um no outro, sejamos sinceros, e rezemos juntos, eu quero que Cristo esteja na base da nossa relação, quero tê-Lo sempre connosco.

Não quero só os teus beijinhos e abraços, quero que me digas o que sentes, quero que me faças rir, quero que confies em mim, quero falar de tudo contigo, quero discutir, quero sair, quero que me supreendas, que todos os dias sejam novos, que todos os dias me reconquistes, que todos os dias Lhe peças por nós. O importante é confiar, confiemos n´Ele, porque só Ele sabe o que é importante para Nós, só Ele sabe o que é melhor para Nós.
Olhei para ela, e abracei-a, respondi-lhe de seguida, enquanto lhe tocava no cabelo:
- Sabes não me imagino, sem o teu sorriso, sem a tua boa disposição, sem a tua simpatia, e principalmente sem a tua amizade, és mais importante para mim do que julgas…. Já nem sei o que é não sentir saudades, quando não estou contigo.
Eu também quero uma relação a três e sei o que isso implica, sei que é exigente mas também sei o importante que é para nós que Ele esteja presente, e se Lhe fossemos agradecer por esta Graça que nos deu de nos conhecermos e de estarmos juntos?


Para o João, neste dia 3.

Monday, January 28, 2008


Foi numa manhã fria de Janeiro, que nos cruzarmos pela primeira vez, como duas folhas se cruzam no vento gélido do Outono, de relance, temporariamente e sem saber se nos veriamos de novo, ou se tinha sido um toque de passagem.
É engraçado olhar para trás e ver como ela entrou na minha vida, de repente, de forma inesperada, do nada simplesmente, e esta simples entrada fez a minha vida dar uma volta de 360 º, porque com ela, entrou Cristo na minha vida.
A vida com Cristo presente é tão diferente, antes de conhecer a Cristina, a minha vida era muito mais virada para dentro, eu tinha as minhas preocupações, angustias e ambições, eu vivia virada para mim e para a minha vidinha, que não ia para além do meu umbigo.
Quando nos conhecemos, vi como era viver plenamente, a Cristina, tinha e tem a vida dela, de gestora, de mãe, de irmã, de filha, de amiga, e tem a vida para os outros, para os filhos, para o marido, para os amigos, para os que precisam. Ela não vive só para se realizar pessoalmente, mas também vive a pensar no que pode fazer pelos outros e para os outros.
No mundo em que vivemos, somos cada vez mais tentados a viver para nós próprios, e a sermos mais individualistas, temos o nosso carro, a nossa casa, o nosso telemóvel, a nossa vidinha, queremos o nosso espaço, o nosso curso, o nosso projecto de vida, e muitas vezes esquecemo nos que não somos nada sem os outros, e muito menos sem Deus. Esquecemo nos do essencial, que é mesmo ( já dizia Antoine de Saint-Exupery) invisível aos olhos. Esquecemo nos que nem tudo corre como planeamos e que a vida dá tantas voltas, Graças a Deus.
Gostávamos de puder controlar tudo, não temos noção que há coisas que não depende de nós.
Quando olhei para a vida da Cristina, e reparei na maneira altruísta como ela vivia, senti me vazia oca e um pouco sem saber o que fazer. Ela que era casada e mãe de três filhos, tinha tempo para tudo e mais alguma coisa, trabalha numa empresa, educava os filhos e fazia voluntariado. Era uma pessoa disciplinada, organizada e principalmente altruísta.
Conhecemo nos de forma inesperada, num corredor do hospital, onde eu estava internada depois de ter tido um acidente de mota.
Estava eu pensativa num corredor, quando a vi a passar, com um enorme sorriso contagiante, trazia um ramo de flores, amarelas e lilases, e ia colocando uma flor na cabeceira de cada doente, até que chegou a minha cama que não tinha cabeceira, e depois de um sorriso, perguntou me se estava bem. A maneira como me olhou e a forma como colocou o braço sobre o meu, fez me sentir pela primeira vez em muito tempo, confortável, e ao mesmo tempo vulnerável, foi uma mistura de sentimentos durante tão pouco tempo, que me fez ficar confusa e comovida.
Ela ao ver o meu embaraço, abraçou me, e começou me a animar.
A partir daquele dia comecei a ser visitada regularmente por aquela senhora de olhos esverdeados e sorriso marcante, que ao início era apenas uma voluntária e no fim era uma grande amiga. No meio desta amizade, eu fui crescendo, e a Cristina deu me a conhecer o Amor de Deus. Podia não tê-lo feito, por receio, por não querer arriscar, eu no seu lugar não o teria feito, porque é tão difícil falar de Cristo, com receio de sermos olhados de lado, de não dizer as coisas certas, mas isso era o que eu achava antes de a conhecer, quando a ouvi falar de Cristo até estremeci, era uma confiança, uma certeza, uma relação de amor enorme que transparecia na alegria dos seus olhos ao falar d´Aquele que morreu por Nós. Ao inicio eu estranhava, nem sabia que Lhe dizer, já não falava com Ele há tantos anos, depois comecei a habituar me, e quando dei por mim, uma paz enorme invadiu me e os dias já não eram só dias nem as horas apenas horas, tudo mudou, deixei de viver a 300 querendo estar em todo o lado ao mesmo tempo e passei a fazer tudo com calma e pausadamente, inscrevi me no grupo de voluntários e passei a dedicar algum do meu tempo livre aos outros, deixei de pensar só em mim e na minha realização pessoal e passei a pensar em mim com Deus, com o que Ele quereria que eu fizesse.
Desde que me comecei a dar com ela, tudo mudou, passei a tê-Lo sempre presente e em vez de ser só Cristã, fiz de ser Cristão um modo de vida, levando O como ela O leva sempre presente na minha acção do dia a dia.
Deixei de planear pormenorizadamente a minha vida, e passei a ter apenas linhas de orientação que foram rezadas e pensadas com Ele não só no impacto destas na minha vida, mas na diferença, mesmo que pequena, na vida dos outros.
Essa é a capacidade do amor de Deus, de nos fazer dar cada vez mais, de nos superarmos a nós mesmos, porque com Cristo tudo é possível, com Cristo presente, confiando e entregando-Lhe a nossa vida, tudo acontece, basta confiar.

Sunday, December 30, 2007


Acontece todos os anos, e muitos fazem deste acontecimento, uma banalidade, parte da rotina, um simples dia igual a tantos outros.
Como é possível que o dia que marcou a humanidade, o dia que orienta a nossa vida ( porque há antes e depois desse dia), o dia que mudou o mundo, um dia tão especial seja banalizado, desprezado e materializado?
Eu já estava farto desta onda de consumismo que me inundava, de presentes, de lojas, de saldos, no meio de tudo isto eu só me questionava: e Ele? Onde está Ele no meio de tudo isto? Ele que se fez Homem e morreu por nós, será que o seu nascimento nos passa ao lado?

Estava a pensar em tudo isto quando dei por mim diante da Igreja dos Mártires, e parei para observar as pessoas que circulavam, todas carregadas de sacos com presentes, e no meio de tanta correria desenfreada, nem reparavam numa criança, que se encontrava de joelhos, diante da Igreja a pedir.
Todo o meu ser parou ao fitar os olhos daquela criança, que por razões que desconheço, se encontrava ali parada a pedir.
Ninguém parava para Lhe dar a mão, sim a Ele que se encontrava tão presente naquela criança, ninguém O via, tal como naquela noite em que Ele nasceu e em que ninguém Lhe abriu a porta.
Dei por mim com lágrimas nos olhos, porque é que não vemos o essencial? Será que nesta época faz mais sentido comprar tudo para toda a gente ou dá-Lo a conhecer aos outros e ir ao seu encontro?
Será que nesta época devo pensar mais em mim e no que quero ou nos outros? As respostas são muitas vezes obvias, mas é mais fácil fazer o oposto. É tão difícil no mundo em que vivemos não ser tentado a comprar coisas que muitas vezes nem precisamos, mas por serem bonitas ou aparentemente praticas facilmente entram na nossa casa.

Decidi ser diferente este ano, e fazer do Natal uma época de caminhada espiritual mas que transparecesse cá para fora, porque O queria dar a conhecer, então decidi que não ia comprar presentes, não ia gastar dinheiro com pessoas que já tem tudo, e o que lhes vou dar servira para ir para uma prateleira ou para juntar às dez mil coisas que já tem. Decidi ser diferente, e todo o dinheiro que tinha para comprar coisas para amigos e familiares, gastei o em: comida para crianças de orfanatos, roupa para sem abrigos, donativos para lares de idosos, livros para doentes de hospitais etc e Dei a cada amigo um cartão com um papel do sitio onde fui, a agradecer pelo donativo e o meu cartão dizia:

Este ano o teu presente foram cinco cobertores para o lar de idosos da minha rua, obrigado por me ajudares a dá-Lo a conhecer aos outros e por estares tão presente na minha vida.
Um Santo Natal e que Ele esteja sempre contigo.

Quando comecei a embrulhar os cartões, receei que as pessoas me pudessem levar a mal, e fiquei parado a olhar para o papel de embrulho que tinha diante de mim.
- Que se passa Miguel?- perguntou me a Rosinha quando me viu com todos os cartões de agradecimento das associações e lares a que eu tinha ido diante de mim parados e pousados no chão.
- Nada, estava só a pensar… será que alguém me pode levar a mal por eu não dar algo material e ter dado a outra pessoa que precisava mais? É que há pessoas que gostam imenso de receber presentes…- disse eu duvidoso .
- Claro que há pessoas que podem ficar ofendidas e estão no seu direito, mas não te esqueças do verdadeiro espírito do Natal, do seu verdadeiro significado, do nascimento de Cristo do impacto que isso teve e tem nas nossas vidas. Quando se duvida de alguma coisa, quando não se sabe qual o caminho a seguir, pensasse que faria Ele no meu lugar, fraquejava e dava presentes materiais que saberia que eles iam gostar mas que seriam inúteis e que passado um ou dois meses já nem seriam usados, ou daria algo aos que precisam, aos que muitos nem se lembram que existem?

Dei todos os cartões, uns estranharam, outros ficaram ligeiramente ofendidos, e outros adoraram a ideia.
Não é bem aceite pela sociedade em geral ser diferente e muito menos ser diferente neste aspecto de O dar a conhecer de uma maneira tão sincera, porque não ser conformista e dizer eu quero seguir Cristo, lutar contra a maré, dá –Lo a conhecer é difícil, mas com muita oração e muita confiança é possível, porque em Deus tudo é possível, Ele morreu por Nós e foi capaz de tanta coisa como é que nós não somos capazes de uma coisa tão simples como O dar a conhecer? Como dar aos outros um bocadinho do que Ele nos deu?
Neste Natal em vez de dar presentes vamos dá-Lo como presente, abrir as portas do nosso coração e mostrá-Lo aos outros, através de gestos, palavras ou simplesmente de um simples sorriso, porque é o melhor presente que Lhe podemos dar, e porque era exactamente o que Ele faria no nosso lugar, dar-Se.

Friday, December 14, 2007


Era tempo de esperar, esperar que a porta se abrisse que ela regressasse e que o meu sono pudesse voltar de vez.

Não sei que horas eram ao certo mas já passavam das três da manhã quando demos entrada no IPO, ela na maca e eu de pé, pálida, gélida e sem saber o que fazer. Passei lá a noite embrulhada numa manta a dormitar sobre as cadeiras, com um enorme sapo dentro de mim, e uma tristeza sem fim que de tempos a tempos me ataca e me fazia suar de ansiedade.

Foi no meio deste tumulto de sentimentos e de angustia que me lembrei d´Ele, como sofreu por nós, como também sentiu angustia, confusão, insegurança, como também Ele naquela noite se sentiu vulnerável e triste.

Estava a pedir Lhe pela minha amiga, que entretanto era operada, quando me lembrei de um tema que tantas vezes me esqueço: o tempo de espera.

O que é para nós hoje esperar? Fazemos de cada compasso de espera um escândalo, uma maldição, fazemos de cada minuto de paciência um calvário,esperar por um autocarro 10min porque se posso ir de carro? Ir ter com um amigo e esperar 15 min, nem pensar, e como estes há muitos mais exemplos, porque infelizmente hoje ninguém sabe esperar.

Esperar é aguardar com calma a chegada de algo, esse algo pode ser um evento, um acontecimento ou uma pessoa, esperar faz bem, enriquece nos, e faz nos crescer, porque temos que saber esperar, tudo tem o seu tempo.

Esperar por Ele que vem ao nosso encontro, também custa, ansiamos a sua vinda, aguardamos a sua chegada, e Ele vem quando tem que vir, Ele vem sempre isso bem o sabemos, e vem por nós, mas temos que saber esperar, e porque não preparar-nos para O receber aproveitar o tempo de espera para fazer algo por Ele, como limpar o nosso coração, arrumar a casa?

Também eu enquanto a esperava aproveitei para me preparar para a receber, lavei a cara, fui ao bar comer, e preparei me para ir ao seu encontro com um enorme sorriso e cheia d´Ele, para Lhe dar o meu melhor abraço e o melhor de mim ou seja Ele.

Thursday, October 11, 2007

Noticias de última hora:
Para grande surpresa de todos iniciei um novo blog, não significa que as estórias da carochinha tenham acabado muito pelo contrário apenas terão uma companhia, o Imagina só ( que está nos meus links ), é o meu blog pessoal em que partilho com quem quiser, um pouco de mim e do que gosto, lá encontrarão desde orações pessoas ( que colocarei também no blog Apenas oração do qual faço parte ), até livros que estou a ler, acontecimentos da semana, exposições, filmes etc basicamente um pouco de mim e do que me rodeia, espero que gostem, quem quiser dê lá uma espreitadela!


Eles ficaram mesmo satisfeitos com o novo blog e vocês?

Monday, September 24, 2007


Estava a cozinhar quando o João chegou, trazia um envelope na mão aberto, e lia animadamente uma carta.
Perguntei-lhe que carta era essa, que lhe roubava sorrisos e gargalhadas.
- É uma carta do Zé Vaz a convidar-nos para um jantar de reencontro de pessoas do nosso curso. – respondeu-me enquanto a desdobrava e me dava.

Peguei na carta, e logo percebi a boa disposição do João. O nosso amigo José, tinha escrito uma carta muito engraçada, em que recordava com humor e sarcasmo os anos passados na faculdade.

Parei por momentos de ler, e recordei aqueles bons anos na faculdade, as correrias para as aulas, as festas, os sorrisos, as palavras, os colegas, os amigos, os professores, e como não podia deixar de ser recordei os exames.
Exames, só a palavra, passados vinte anos, ainda me causava calafrios, o stress, o pânico, a ansiedade. Horas e horas sentada a ler, dores de cabeça, dores nos olhos, o cansaço, o sono, os jantares a que tive de faltar, noites mal dormidas, aulas ensonadas, os resumos, as fotocopias, os cafés com colegas, as duvidazinhas de última hora, a conversa com professores, a oração.
A oração sempre foi muito importante para mim, mas especialmente antes dos exames. Não é que rezasse mais, mas a minha oração antes dos exames era sempre única, não Lhe pedia por mim especialmente nem por aquele exame em particular, simplesmente não Lhe pedia nada, porque Ele sabia o que eu tanto queria e o que tinha feito para alcançar o que ambicionava.
Nos dias que antecediam o exame, os últimos dias de estudo, eu escrevia na mão direita em letras maiúsculas:
SÓ POR TI, JESUS

Centrado na minha mão, estava a razão de todo o meu esforço, e sempre que me custava mais estudar ou que estava ficar desmotivada, sempre que me apetecia levantar, desistir, ligar a alguém ou dar um passeio, sempre mas sempre que não me apetecia fazer aquilo a que me tinha disposto, olhava para aquela mão. Olhava e lia aquela frase, e por Ele, enchia me de força, mesmo que tivesse estado mais de três horas seguidas a estudar, mesmo que os olhos me doessem, mesmo que o cansaço já se fizesse sentir sobre o meu corpo, mesmo nas piores condições, por Ele eu enchia o peito de ar, e tentava dar o meu melhor, lia e relia tudo de novo, até me sentir de tal maneira exausta mas contente por saber que iria fazer o exame dando me a 100% como Ele se tinha dado.
Porque se Ele sofreu e morreu por mim, quem sou eu para não fazer tudo na minha vida por Ele? Quem sou eu para não dar o meu melhor todos os dias ,mesmo nas pequeninas coisas, como estudar, como ler um livro como decorar uma folha de um resumo, por Ele? É tão pouco, é uma migalha, a comparar com o que Ele fez e faz por mim.

Fechei a carta, olhei para a minha mão direita e sorri.
Hoje já não preciso de escrever na mão, é como se já la estivesse marcado, está assimilado, já faz parte de mim, a oração continua presente mas eu própria já dou por mim a rezá-la instantaneamente, e a dedicar-Lhe todas as minhas acções, toda a minha vida.






Queria agradecer a todos os que me enviaram mensagens de incentivo, e me deram força para continuar esta caminhada em que O transmito, ou pelo menos tento, transmitir aos outros através destas estórias.

Também Te agradeço Senhor por este ano escolar que passou, por todos os frutos gerados e por teres ido ao meu encontro de inúmeras maneiras, Obrigado!

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